Inovação virou palavra de ordem. Mas numa empresa que já dura cem anos, inovar errado destrói mais valor do que não inovar.
Sou CFO de uma varejista centenária. Convivo todo dia com a tensão entre mudar e preservar — e aprendi que inovação não é lançar produto novo. É reformular como a empresa funciona sem quebrar o que a sustentou por um século.
A inovação tem quatro frentes: modelo de negócio, processo, oferta e experiência do cliente. A maioria só pensa em produto e ignora as outras três — onde, muitas vezes, está o ganho maior e mais defensável.
Inovar é buscar o novo e preservar o que já dá certo ao mesmo tempo. Uma empresa centenária tem ativos que não se joga fora por moda; e tem hábitos que precisam morrer. Saber a diferença entre os dois é o trabalho — e é o que separa reinvenção de destruição de valor.
Numa empresa centenária, o risco não é deixar de inovar. É inovar no lugar errado.
Inovação real exige liderança que tolere o erro que ensina e cobre aprendizado contínuo — não um mural de valores na parede. Sem essa cultura, todo investimento em inovação vira projeto de gaveta.
Pergunta para quem lidera um negócio maduro: o que na sua empresa é patrimônio a proteger, e o que é hábito a aposentar? Confundir os dois custa caro dos dois lados.