Insights · Operações & Finanças

Ruptura não é problema de estoque. É de caixa.

Cadeia de suprimentos costuma ser tratada como assunto de logística. Numa operação real, é uma das maiores alavancas de caixa e de cliente que um CFO tem.

Em quase cinco anos operando uma rede de supermercados em Angola, aprendi que cadeia de suprimentos não é assunto do galpão. É assunto da mesa do dinheiro.

01A cadeia é onde o caixa vaza — ou se protege

A gestão da cadeia integra tudo, do fornecedor ao cliente final. Cada elo mal coordenado vira custo, ruptura e capital parado. Ali eu reduzi custos em 8%, transporte em 15% e combustível em 10% — não cortando na unha, mas sincronizando o que estava desalinhado.

02Tecnologia ajuda; sincronização decide

Inteligência artificial, IoT e blockchain aparecem como a solução. São meios. O gargalo real costuma ser mais simples: setores que não se falam, demanda que ninguém previu, fornecedor sem aliança. Tecnologia sobre processo desalinhado só acelera o erro.

Cadeia de suprimentos é a conta de caixa mais bem disfarçada de assunto de galpão.

03O papel do gestor

Transformar a cadeia em vantagem de longo prazo exige alianças, gestão de incerteza e sustentabilidade — com dono e meta. Foi assim que o nível de serviço do centro de distribuição saiu de 58,6% para 98,9%: coordenação tratada como decisão financeira, não como rotina de estoque.

Pergunta para quem decide: quanto do seu resultado está preso numa cadeia que a sua empresa trata como custo operacional, e não como alavanca de caixa?

Wesley Nantes
CFO de varejo, 25 anos entre a operação e o C-level, no Brasil e na África. Autor de Atendimento que Conquista.
Escrito a partir de um artigo que produzi no mestrado em Administração.